“Qual é, segundo a etimologia, o sentido da palavra ‘bom’ nas diversas línguas? (…) descobri que, em toda a parte, a idéia de ‘distinção’, de ‘nobreza’, no sentido de ordem social, é a idéia mãe donde nasce e se desenvolve necessariamente a idéia de ‘nobre’ no sentido de ‘privilegiado quanto à alma’. E este desenvolvimento é sempre paralelo à transformação das noções ‘vulgar’, ‘plebeu’, ‘baixo’ na noção de ‘mau’.”
É o que Nietzche diz n’A Genealogia da Moral.
Daí eu acho estranho que ainda venha da esquerda acusações de “pobreza” do funk carioca (achei que essa idéia já tivesse caído em desuso, mas ouvi o papo duas vezes em 2008).
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O Pedro Alexandre Sanches reproduziu e comentou trechos da entrevista do lingüista Marcos Bagno à Caros Amigos. Uma das passagens pinçadas é esta:
“A discriminação pela linguagem é uma das pouquíssimas coisas que unem o espectro político de ponta a ponta. Numa pessoa de extrema esquerda ou de extrema direita, você vai encontrar as mesmas declarações a respeito da língua: que o brasileiro fala mal o português, que é preciso melhorar a maneira como a gente fala, que estamos estropiando a gramática.”
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No mesmo dia, Tom Zé abriu para análise em seu blog a letra de “Classe Operária”:
Classe Operária
(TOM ZÉ)
Sobe no palco o cantor engajado Tom Zé,
que vai defender a classe operária,
salvar a classe operária
e cantar o que é bom para a classe operária.Nenhum operário foi consultado
não há nenhum operário no palco
talvez nem mesmo na platéia,
mas Tom Zé sabe o que é bom para os operários.Os operários que se calem,
que procurem seu lugar, com sua ignorância,
porque Tom Zé e seus amigos
estão falando do dia que virá
e na felicidade dos operários.Se continuarem assim,
todos os operários vão ser demitidos,
talvez até presos,
porque ficam atrapalhando
Tom Zé e o seu público, que estão cuidando
do paraíso da classe operária.Distante e bondoso, Deus cuida de suas ovelhas,
mesmo que elas não entendam seus desígnios.
E assim, depois de determinar
qual é a política conveniente para a classe operária,
Tom Zé e o seu público se sentem reconfortados e felizes
e com o sentimento de culpa aliviado.
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Algumas pessoas me lembram uma cena d’O Talentoso Ripley, em que a personagem da Cate Blanchet diz:
“The truth is if you’ve had money your entire life, even if you despise it, which we do – agreed? – you’re only truly comfortable around other people who have it and despise it. “


Há alguns anos (quantos? três? quatro?), quando eu ainda morava no quadrilatéro sambístico paulistano, comecei a ouvir no ônibus garotas e garotos falarem sobre comunidades, perfis e escrepes. Eles chegaram sem óleo nem creme, mas com textos em caixa alta e fotos de pouca qualidade. E agora nós temos o 