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Corrupção ativo-passiva

February 20, 2008

Lawrence Lessig, já faz um tempinho, está se dedicando a estudar corrupção. Ele fez uma palestra em Stanford sobre essa nova área (estou trabalhando em uma transcrição traduzida, mais tarde eu publico). Ao falar sobre como o dinheiro influencia a política, ele, citando Dennis Thompson, explica que afeta o processo racional:

“Se tem uma coisa em que os políticos são bons é em desenvolver um bem ajustado sexto sentido a respeito de como suas palavras afetam o público. E, enquanto 50% a 70% do seu tempo é gasto tentando levantar fundos, o sexto sentido tem esse foco também. ‘Que coisas eu devo dizer de acordo com o tanto de dinheiro que eu preciso levantar?’.”

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Um colunista da Slate está bastante revoltado com a imprensa americana (e canadense também). A polícia na dinamarca prendeu três suspeitos de armarem uma tentativa de assassinato contra um dos cartunistas que fizeram caricaturas do profeta Maomé. Os jornais dinamarqueses resolveram republicar os desenhos. Nos Estados Unidos, apenas dois periódicos de pequena circulação o fizeram.

“Porém, o mais traiçoeiro inimigo [da liberdade de imprensa] é o jornalista ou editor que, covardemente, não precisa que lhe digam o que fazer, porque ele ou ela já internalizou a necessidade de agradar – ou pelo menos de não ofender – a pior tirania de todas: a versão mais garantida da opinião pública”.

Person Lawrence Lessig
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Depois que estorou o escândalo das torturas em Abu Ghraib, o psicólogo Philip Zimbardo foi chamado para contribuir na procura de motivos para o comportamento daqueles soldados. No ano passado, ele lançou um livro, The Lucifer Effect: Understanding How Good People Turn Evil. Ele explica que o contexto da prisão – e fatores como conformismo, anonimato e tédio – foi decisivo para transformar soldados sem predisposição patológica em torturadores.

“Você tinha a CIA, os interrogadores civis e a inteligência militar dizendo aos reservistas: ‘Amoleçam esses detidos para interrogatório’. Esse tipo de ordem vaga é o equivalente de eu dizer aos guardas do SPE [Experimento de Prisão de Stanford]: ‘A prisão é de vocês’. Não havia nenhum superior dizendo ‘vocês têm de fazer essas coisas horríveis’. Acredito que as autoridades criaram um ambiente que deu aos guardas permissão para se tornarem abusivos (…)”.

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Com dimensões diferentes e diversas ressalvas, são três exemplos de “corrupção ativo-passiva”, um termo que eu acabei de inventar – não sei se existe um mais científico. É quando o corrompido se adianta ao corruptor; quando a vontade de agradar ultrapassa as ordens superiores. No trabalho, já vi bastante disso, momentos em que os mensageiros se tornam mais realistas que o rei. Sim, é um sistema que termina por premiar (ou pelo menos, não punir) quem age assim.

Mas, da minha parte, acho que vale a busca por evitar internalizar – o senhor, o chefe, o general.

One comment

  1. ta linkada. bom ler suas letras bem escritas novamente. beijos. saudades.



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